terça-feira, 14 de julho de 2009

em miúdos

Dobrou o bilhete enquanto pensava no que havia escrito, as palavras espremidas pareciam até verdades, como vindas de impulso, não filtrou muito, espontâneas, um tipo de mulher solta que desfruta os minutos, que mentira, nem sabia se queria escrever aquilo, por isso usou o lápis, caneta é coisa séria, mesmo não tendo nenhuma borracha, quando quis apagar a parte do sinto uma saudade profunda, não achou saída e deixou ali, combinações piegas, misturou sexo e alma na mesma frase, comentou sobre o livro que estava lendo, parecia ter alguma ligação, lembrou de Paris, aquela tarde em Londres, falou de amor, logo ela que sempre fugiu de melosidades, apesar de ser a primeira a derreter na cadeira do cinema, disfarçando os olhos pra cima e cutucando o copo de refri, inquieta, certa vez, em meio a uma insónia embalada por The Velvet Underground e sete cigarros, saiu fazendo ligações como uma bêbada de tédio ou falta de preencho, igual estava no dia em que cortou a mão, foi sem querer, mas fez um drama, disse não conseguir respirar, falou assim mesmo, bem devagar, não-con-si-go-res-pi-rar, talvez não soubesse assumir dor, e aquela era visível, ninguém a julgaria, veio acumulada, disfarçada, chorou e chorou.
Deixou o bilhete no travesseiro e se foi.

6 comentários:

Gui Trento disse...

adorei...genial a sua escrita, texto corrido, não deixa a gente respirar. meio bukowski, meio chico buarque.

bjos

Andrè Dale disse...

sempre lindo

nicolas disse...

linda chica!! te amo e já estou com saudades!!

bianca disse...

sempre lindo sim tici- e de uma fluencia gostosa de leitura

Léo disse...

Lindas fotos, gostoso de ler o texto! Obrigado pela visita e com certeza seremos "blogs amigos"... rs
Mil beijos, saudades!!

Mariana disse...

que facilidade a sua com as palavras, montando um texto tão delicado!!! BRAVO BRAVO BRAVO !!! beijinhos tici!