sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ser

do ser

sai mistério pela casca
como tatear o ar

fechar olho no escuro
respirar o gosto

e chora sorrindo

movimentos imitados
educados para o medo
programados para a dor



vai
inibe o real

procure um encaixe
ache 
defeito
onde não tem

veja!

inquietude em semblante manso
em ruga escondida
em sorriso sem dente

na frente tem sempre alguém melhor?

distâncias tão próximas

misturam diferenças semelhantes
mas cegueira impede
o contato cru


enquanto isso 
célebres exemplos fazem festa em
lisérgico mundo


já foi dada a marcha sincronizada

um dois um dois

e o controle remoto cerebral 

nem filtra
está ocupado demais

fingindo...



música: ciranda da bailarina, Chico Buarque

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