segunda-feira, 21 de junho de 2010







Juergen Teller

*A
exposição do fotografo está na Sala Alcalá 31
em Madrid, até o dia 22/08/10

terça-feira, 18 de maio de 2010

Paris 301C

A escada crescia em espiral fazia um barulho horroroso de madeira velha pior era perto do segundo andar onde morava a senhora com o chiwawa ele morava no terceiro eu sempre dizia pra ele por que você não chama alguém pra consertar essa escada me respondia achar charmoso o imperfeito e eu subia sempre de olhos pra baixo fixos nos pés e degraus pés e degraus dependendo de quantas taças de vinho eu bebia segurava ainda mais o corrimão dourado gasto um dia bebi whisky a noite toda e parei no primeiro andar as gargalhadas cantando Rescue me da Aretha Franklin enquanto ele pedia pra eu falar baixinho seguir a luz do celular segurava minha mão e me puxava escada acima o vizinho do quarto andar escutava Miles Davis subimos um pouco mais só pra ouvir a música sentados entre degraus ele me sorria apontava pro ar dançando com os dedos mexia a cabeça no ritmo e em momentos mordia meu ombro de leve eu lembro de deitar em seu colo e adormecer ali mesmo mas as vezes eu nem subia tocava o interfone 301C e ele descia correndo acostumado ao desequilíbrio dos degraus e eu falava que não era mais imperfeito porque ele já conhecia cada canto e me respondia com movimentos de ombros um sorriso torto dizia que sou méchant como quando deixei cair as compras até a porta da senhora com o chiwawa e pedi pra ele ir buscar isso foi só uns dias antes da vez que me abraçou de repente no meio do segundo andar eu fechei os olhos parecia abraço daqueles de matar saudades como se não nos víssemos há muito tempo ou como despedida onde não precisa falar muito se entende no ar no silêncio toques respiração e justo desde esse dia a gente nunca mais se viu

quinta-feira, 13 de maio de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

agosto

brindávamos com aquele
vinho barato 3euros
custava, era bom
misturar com soda de limón
e muito gelo no verano
pelos parques a grama
esta verdinha da luz do sol
sem mergulhos -no hay la playa
lago chafariz óculos escuros
de noite terraza com amigos
o metro fecha 1h30 pero
dava igual; caminhávamos borrachos
já sandálias shorts, a música
vinha colorida junto com
as luzes do amanhecer
na sua varanda

terça-feira, 6 de abril de 2010

awake

não entra mais o sol
a desenhar paredes
marcar os rostos
nem velas nem luz
a madrugada acolhe
invade sem perguntar
conta os segredos
mudos

sexta-feira, 5 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

desayuno

basta começar
palavra muda não tem
vez vida nem nada
conheço um cantinho que
faz milagre; do lado direito
ou esquerdo a barba arranha
é aí o cheiro mágico
de envolver ideias cutuca
o corpo todo responde
movimentos beijos
e de manhã o sol
pela brecha no peito
nu

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

acuestate y despiertas

faltam três paradas de metrô
reparo os rostos cansados
seis e meia da manhã não noto
o sol, cidade acinzentada
espreguiça em esquinas
e eu acordo junto
sem ter dormido
a bebida ainda dança minhas
ideias misturadas
passam luzes cores formas
entre estações é tão rápido
velocidade que come o peito
os olhos não acompanham
e a voz da maquina é sempre a mesma
devo tomar cuidado para "no poner el pie
entre coche y andén"
pisco longo, vejo flashs de atrás
agora em camera lenta;
me divido entre o externo interno
meu tempo e o do outro
você vem, beija minha nuca
canta there she goes again
no meu ouvido
só sorrio por dentro
mas o olho revela

domingo, 29 de novembro de 2009

sopra aqui

Eu quero que o vento
leve, me leve
em sopro gelado 
pra limpar pensamentos
de finais de outono
Tiro os casacos do armário
e procuro o frio
Quando os cabelos param
fica um vazio calmo
inquietante constância
Silêncio? 
Eu quero outra dúvida 
raiva ou medo
só pra pedir de novo
o mesmo vento.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

changes

Você aí cigarro e cerveja
eu aqui amendoim e vodka
Pode ser que medo e desejo as vezes 
se misturem em um sentimento só
e por isso eu vim
Nessa mesa de bar eu mal te vejo 
e nem me encontro direito 
mesmo nesse frente a frente
como se uma parte estivesse em casa 
e a outra querendo fugir
É meio aquele papo 
sobre o nervosismo do mundo
de pensar demais 
e perder o agora
Falávamos disso
nas nossas noites viradas 
David Bowie e vinho 
até as cinco da manhã
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But I can't trace time

Cantávamos juntos, jogados na 
cama, garrafa na mão, um
cheiro de pele
Eu me encontrava em mim
e você ainda estava ali.

sábado, 14 de novembro de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

em miúdos

Dobrou o bilhete enquanto pensava no que havia escrito, as palavras espremidas pareciam até verdades, como vindas de impulso, não filtrou muito, espontâneas, um tipo de mulher solta que desfruta os minutos, que mentira, nem sabia se queria escrever aquilo, por isso usou o lápis, caneta é coisa séria, mesmo não tendo nenhuma borracha, quando quis apagar a parte do sinto uma saudade profunda, não achou saída e deixou ali, combinações piegas, misturou sexo e alma na mesma frase, comentou sobre o livro que estava lendo, parecia ter alguma ligação, lembrou de Paris, aquela tarde em Londres, falou de amor, logo ela que sempre fugiu de melosidades, apesar de ser a primeira a derreter na cadeira do cinema, disfarçando os olhos pra cima e cutucando o copo de refri, inquieta, certa vez, em meio a uma insónia embalada por The Velvet Underground e sete cigarros, saiu fazendo ligações como uma bêbada de tédio ou falta de preencho, igual estava no dia em que cortou a mão, foi sem querer, mas fez um drama, disse não conseguir respirar, falou assim mesmo, bem devagar, não-con-si-go-res-pi-rar, talvez não soubesse assumir dor, e aquela era visível, ninguém a julgaria, veio acumulada, disfarçada, chorou e chorou.
Deixou o bilhete no travesseiro e se foi.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

relance

Traz o chá, bota a mesa.
Eu como
você por partes me olha
em meios sorrisos.
Suspeitei do trago
mal dado
ameacei desculpas
desisti.
Leite?
Um pouco.
Novamente silêncio.
Percebi a nuca gasta
de mim. Vi que o cheiro 
não me diz mais nada -
nem lembrei dos lençóis 
perdidos entre pernas
o hortelã com cigarro
as palavras no espelho -é batom 
vermelho, meu bem.
Taí, achei que iria
mas só fiz as malas -
esse lado joga limpo.
Hoje é dia de maldade.
Açúcar?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

The Band Wagon

Fred Astaire and Cyd Charisse (1953)

sábado, 23 de maio de 2009

alô dos tempos

já fizemos tantos brindes
mas deixamos passar mil novas histórias
como teria sido?
lembro que você dizia como o tempo surpreende
como os minutos levam tudo.
vou te ligar do alto daquele prédio comprido
na hora do almoço, bebendo aquele mesmo suco
de anos atrás.
ah, outro dia comi aquela torta, lembra?
ainda a fazem na padaria do seu Antunes.
volta e meia vou lá, sento na mesa dos fundos.
acho que você nunca gostou muito daquele lugar
mas tinha um cheiro doce, você notava
comentava alto por causa do fone nos ouvidos.
as vezes sinto de longe, da calçada;
aquele cheirinho de açucares misturados!
mas não sei se é coisa da minha cabeça.
acho que passou tempo demais
a mudança se fez nítida assim de repente
parece que tudo mudou em um piscar
e a falta ganhou décadas em segundos.
amigo,
deu um nó de saudade.
vejo flashs do seu allstar vermelho
me vejo correndo pelo play
e você atrás gritando:
"é magrela, mas é rápida!"



video; música; "Lisztomania", do Phoenix. e trechos de filmes dos anos 80
("The Breakfast Club","Pretty in Pink", "Mannequin" e "Footlose")

segunda-feira, 18 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

púrpura

hoje estou néon
reluzente como o open 
do motel da esquina.
já viu cor mostrar alguém?
me dispo os tons;
azuis amarelados, eu
gastei vermelho à toa.
lhe percebi quando passou;
emanava um jeito de
quem me sabe, levava consigo 
meus anos, manchas borradas 
no papel.
quem vê até pensa 
que ainda me colore.

terça-feira, 12 de maio de 2009

do silêncio

" Frente a frente, derramando enfim
todas as palavras, dizemos, com os
olhos, do silêncio que não é mudez."

Ana C.

silêncio






.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

caminos

salí por ahí... 



pero mi comienzo ya empezó desde
hace mucho, mucho tiempo
mucho más tiempo de lo que yo sepa
y si hubiera hecho demasiados planes
hasta hoy se quedarían esperas
esperanzas por cosas que tal vez
no iba ni saber os decir los porque`s
ahora, no cuento más los años
no hace falta, son solo numeros 
(los olvidaré muy pronto)
y me quedo sin medir las cosas
mientras no hago más comparaciones-
también solo numeros... 

ya he ido por ahí
y no hubo una vez que 
supe decir el final
son ganas perdidas
y yo soy sin fin...
es un lío pensar mucho, 
no? 

quarta-feira, 29 de abril de 2009

mais um dia

me faço inteiro na correria do
dia-a-dia escolho um todo entre
pedaços e restos
desmonto a rotina com olhar oposto
deixando ser como eu quiser
porque amanhã não é mais hoje
e só descobriu quando já era ontem

quarta-feira, 15 de abril de 2009

sábado, 28 de março de 2009

permitido permitir

é um lado de lá que vive aqui
a saudosa vontade de ser um todo



foto; david lachapelle

terça-feira, 24 de março de 2009

fortaleza

por mais entrega fugiu a
racionalidade
fez um leve descontrole 
e a rachadura trouxe um ar que
circulava fora, ventilou espaços 
abriu contatos com
o externo antes mudo
tampado, vedado estava
apesar de que pelo vidro 
dava pra ver quase tudo

[bendita falha humana]

quinta-feira, 12 de março de 2009

rascunho

se a ideia não vem, nem a
imaginação salpica dentro em
formas e tons
saio escrevendo em jogo solo
tentativas sobre o papel 
quem sabe acontece um click 
ou uma mistura interessante em 
meio a falta de nexo ou coerência
e o que é o nexo quando 
a liberdade é tamanha quando 
os sentidos são mera ocasionalidade do 
conteúdo exposto, moldado por 
vontades mil 
e transmitido pelo 
simples desejo de assim 
fazê - lo

quarta-feira, 4 de março de 2009

lunar

exposta de cima; 
assiste 
soberana, engana quem
pensa nada mudar quando circula o 
ar em recheio inteiro
e traz um tom de fim e começo,
esperança à espera de
nova aurora

saúde ao novo!
é vida
retrato de um passado que se foi há
um segundo e continua ali;
sendo o futuro, virando o presente
indo e vindo
mutante, mundano
familiarmente novo

e o corpo é mais agua
cerca de 75% em litros 
mareiam olhos aqui 
e aí também
transbordam marés
milhões de pacíficos, índicos,
mediterrâneos fartos de vontades,
medos, sonhos, receios
tesão

um mergulho profundo;
olhos abertos, olhos fechados
embalo, me guio em fluxo misturado
espero o momento do uivo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

nosdetalhes2

infelizmente aconteceu algum problema com minha conta do blog nosdetalhes.blogspot.com
sendo assim, criei este novo; nosdetalhes2.blogspot.com
todos os meus escritos que estão abaixo estavam no nosdetalhes.blogspot,
consegui recupera los e trazer para cá,
mas infelizmente os comentários não vieram junto

sejam bem vindos

recuerdo

"lo que hoy relatamos de nuestra infancia
no tiene nada que ver con lo que
relataremos dentro de veinte años."

"de manera que nos inventamos nuestros recuerdos,
que es igual que decir que nos inventamos a nosotros mismos,
porque nuestra identidad reside en la memoria,
en el relato de nuestra biografia.
por consiguiente, podríamos deducir que los humanos somos,
por encima de todo, novelistas,
autores de una única novela cuya escrita
nos lleva toda la existencia y
en la que nos reservamos
el papel protagonista."

Rosa Montero

not for sale II







fotos: Ellen Von Unwerth

not for sale


música: not for sale, por CocoRosie.

"you can leave me
on the corner
where you found me
i`m not for sale anymore"

descasco

deslaço
me abro
entre serpentes abismos
esquivando desatino
se alastra a despedida
[vem o cheiro de enxofre]

nasce súbita
nova graça
traz tempero
em descarrego lento

uma pitada de vigor
vem do fundo do meu olho
me envolto toda
em fresco olhar